Resposta curta: Polifemo é um ciclope, um gigante de um olho só, filho de Posêidon e da ninfa marinha Toosa. Odisseu o cegou com uma estaca de oliveira afiada depois de dizer que se chamava Ninguém. O truque funcionou, e custou dez anos, porque o monstro tinha um pai e esse pai era o mar. Está começando? Comece pelo guia da Odisseia para iniciantes.
A noite na caverna
Esqueça o gigante genérico dos filmes. Polifemo é um pastor: cercados para os cordeiros, baldes de leite, queijos secando nas grades. Ordenha ao anoitecer, fecha a entrada com uma pedra que vinte homens não moveriam, leva o rebanho para fora ao amanhecer. Alguém com uma rotina.
Odisseu entra com doze homens e come o queijo enquanto esperam o dono. Isso pesa mais do que parece. A hospitalidade grega obrigava o anfitrião a alimentar o estrangeiro, mas obrigava o hóspede a esperar, pedir e aceitar, e Homero sabe muito bem o que seu herói está fazendo. A tripulação implorou para pegar o queijo e correr; ele recusou, porque queria ver que presente o gigante lhe daria.
O gigante volta, rola a pedra e responde à questão da hospitalidade do jeito dele: agarra dois homens e os come. Mais dois de manhã, mais dois na noite seguinte. Nenhum dos que sobraram move aquela pedra, então matá-lo dormindo seria ficar emparedado para sempre. Precisam dele vivo e indefeso.
Então, vinho. Taça após taça do forte, sem misturar. O ciclope pergunta o nome dele. "Ninguém. Ninguém é como meu pai e minha mãe me chamam." O gigante promete comer Ninguém por último, como presente de anfitrião, e cai bêbado. Os homens aquecem a estaca de oliveira nas brasas e a enterram no único olho. Os vizinhos correm até a porta e perguntam quem o está machucando. "Ninguém está me matando." Voltam para casa. Um trocadilho salva doze vidas.
A fuga, momento a momento
| Momento | O que acontece | Por que importa |
|---|---|---|
| O nome falso | Odisseu se diz Outis, "Ninguém" | Transforma o resgate em piada e garante uma noite |
| A estaca | Cegam o gigante adormecido | Ele não persegue o que não vê |
| Os carneiros | Cada homem se agarra sob a barriga de um carneiro | O pastor cego apalpa lombos, nunca barrigas |
| O carneiro favorito | Ele o acaricia e pergunta por que hoje sai por último | Homero pausa a fuga para você sentir pena do monstro |
| A gabolice | Já seguro no mar, Odisseu grita o nome verdadeiro | Uma maldição precisa de um nome para te achar |
Essa quarta linha é o momento mais estranho do poema. O gigante cego abraça o carneiro que sempre guia o rebanho e pergunta com doçura se ele sofre pelo olho do dono. Ali o ciclope não é um monstro, é um homem ferido sozinho com seu animal, e Odisseu está pendurado embaixo, ouvindo.
A última linha lhe custa tudo. Já fora de alcance, ele não resiste a corrigir a ata: não Ninguém, Odisseu, filho de Laerte, saqueador de cidades. Polifemo reza ao pai, e essa prece são as tempestades, as tripulações afogadas, os anos com Circe e Calipso, o limite do que Atena pode fazer pelo seu favorito. O ato de ego mais caro da literatura grega é um homem dizendo o próprio nome em voz alta.
O outro Polifemo, o apaixonado
Séculos depois, Teócrito e Ovídio lhe deram uma segunda vida: um ciclope jovem apaixonado pela ninfa marinha Galateia, sentado numa pedra, tocando flauta mal, cantando que sabe que é enorme, peludo e de um olho só, e que mesmo assim seria bom com ela. Engraçado e sinceramente triste. Em Ovídio, Galateia ama o pastor Ácis, e o ciclope ciumento o esmaga com um pedaço da montanha. Cantor apaixonado e devorador de homens são o mesmo personagem a duas distâncias, e por isso ele aparece bem alto nos monstros gregos, do pior ao melhor.
Perguntas rápidas
Por que Odisseu disse que se chamava Ninguém?
Porque já planejava cegar o anfitrião e sabia que havia outros ciclopes na encosta. Um gigante cego pedindo socorro é um problema; um gigante cego gritando que "Ninguém" o está matando parece pesadelo, e os vizinhos voltam para a cama.
Polifemo era um vilão?
Em parte, e Homero quer você desconfortável com o resto. Comer hóspedes é o pior crime do mundo moral grego, mas os gregos o roubaram primeiro, e nenhum monstro comum recebe a ternura que ele dá ao seu carneiro. O cinema achata isso, como contamos em a Odisseia na tela contra o mito.
Por que Posêidon está furioso com Odisseu?
Porque Polifemo é filho dele, e Odisseu o cegou e ainda entregou o nome de que a maldição precisava. Dali em diante o mar trabalha contra um único navio: cada naufrágio, cada atraso, cada ilha onde uma deusa o retém, incluindo as de as mulheres da Odisseia.
A caverna, o vinho, o grito e os carneiros são narrados como um filme no MythologyNow. Fones nos ouvidos, luzes apagadas.



