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Hades vs Anúbis vs Hel: qual mitologia tem o melhor chefe do além?

Resposta curta: depende de para que você acha que a morte existe. Hades é um carcereiro: um administrador justo, obcecado por regras, cuja única missão é que ninguém fure a fila. Anúbis nem sequer é o chefe: é o controle de qualidade, o examinador que decide sua eternidade na balança. E Hel é uma rainha no exílio, atirada ao frio ainda criança e coroada sobre os mortos sem glória. Três submundos, três cargos completamente diferentes.

O organograma do submundo

Governante Reino Quem acaba lá Personalidade
Hades O submundo grego Todos: heróis, reis, joões-ninguém Severo, justo, alérgico a exceções
Anúbis O Salão do Julgamento, dentro da Duat Toda alma, para um exame final Meticuloso, incorruptível, mão na massa
Hel Helheim, no fundo do gélido Niflheim Quem morre de doença ou velhice Metade mulher viva, metade cadáver; fria e paciente

Hades tirou o palito mais curto quando os três irmãos dividiram o cosmos: Zeus ficou com o céu, Poseidon com o mar, e ele herdou o porão. Não é nenhum diabo: é um gerente com trono, com juízes dos mortos, Caronte, o barqueiro, na fronteira e Cérbero na saída. Ele quase nunca sai de lá.

Anúbis responde a Osíris, o verdadeiro rei dos mortos egípcios. Seu departamento é a pesagem do coração: seu coração num prato, a pena de Maat no outro, e Anúbis ajustando a balança para ninguém trapacear. O Egito é o único além da lista em que se passa ou se reprova.

Hel recebeu o trono como um insulto. Odin olhou para a filha de Loki, metade mulher belíssima e metade cadáver, e a atirou no Niflheim. Ela transformou o insulto em reino: todo aquele que morre de velhice ou doença é dela, porque os guerreiros vão para o Valhalla ou para o campo de Freya. No Ragnarok, ela cobra a dívida e zarpa com um exército de mortos.

Três ideias de morte

A Grécia trata a morte como um arquivo: justo, permanente, sem notas. O Egito, como um exame final para o qual se pode estudar. Os nórdicos, como uma triagem por como você morre, não por como viveu.

Perguntas rápidas

Hades é do mal?

Não. Isso é Hollywood precisando de um Satã e pegando o primeiro deus com escritório no subsolo. O Hades grego pune perjuros e faz cumprir as regras, nada mais. Até seu pior momento, o rapto de Perséfone, termina num casamento negociado, com as estações incluídas: história completa: Deméter e Perséfone.

Quem governa de verdade o submundo egípcio?

Osíris. Anúbis conduz o julgamento e passa o veredito para cima. Pense num examinador-chefe, não num rei. O que ele fazia o dia inteiro, cabeça de chacal incluída, está no nosso artigo sobre Anúbis.

Dá para sair de algum desses submundos?

Quase nunca, e as exceções são famosas justamente por serem exceções. Orfeu conseguiu a única brecha da história e a desperdiçou na porta. Sísifo saiu na lábia e ganhou uma pedra eterna por isso. Perséfone faz o trajeto: seis meses em cima, seis embaixo. Todos os outros ficam.

O MythologyNow narra os submundos como um filme: encontre Tânatos no instante em que tudo começa e ouça as Valquírias decidirem quem nunca vai conhecer Hel.

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